Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

História inacabada



Olhou as luzes que ofuscavam as dores escondidas nas esquinas da cidade, percorreu os destinos magoados de quem se esqueceu dos dias, relembrou promessas adiadas para um depois que nunca chegou...
...e as lembranças teimavam em dizer que era só um dia engalanado de luzes, doces recordações envoltas no papel celofane da tentação!
Um dia...nada mais do que um dia!
Uma soma de horas, horas que se abraçam como corpos em ondas de paixão!
Uma soma de minutos, minutos que sussurram ecos de sentires distantes!
Uma soma de segundos, segundos de palavras ausentes nas linhas marcadas da tua mão!

Olhou-se ao espelho e gostou do que viu, feliz por não ter hesitado mais do que meia dúzia de minutos antes de entrar na loja.
O vermelho sempre tinha sido a sua cor favorita… Calor, paixão e alegria tudo se misturava nesse tom aquecido pelo raiar solar dos trópicos e ela sabia que a sua vida podia ser apenas uma soma de dias, se não os polvilhasse com a canela aromática da emoção!

Aquele vestido de um vermelho envergonhado, prometia-lhe um dia, o seu dia...um dia escrito num sentir conjugado na primeira pessoa do plural e, por isso, ela contava os segundos para que se tornassem longos minutos de prazer!
Afinal um dia podem ser 24 horas de tentações, escritas de forma indelével nas páginas entreabertas da nossa história…sempre inacabada!

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Sentires felizes



E assim aconteceu...
Os "In-Finitos Sentires" já ganharam forma de livro. A sessão de lançamento, na Biblioteca Municipal de Valongo, correu bem.
Os amigos apareceram para apoiar e comprar o livro...os que não puderam deixaram o seu apoio de outras formas.
Para todos os que quiserem adquirir o livro podem solicitar através do blog ou através do mail cmarques22@gmail.com. Brevemente darei indicação das livrarias onde ficará disponível.



Na mesa, a acompanharem-me na missão de dar a conhecer estes "In-Finitos Sentires" etiveram Alexandre Teixeira Mendes, da Associação de Jornalitas e Homens de Letras do Porto, eu, Fernando Melo, presidente da Câmara Municipal de Valongo e Jorge Castelo Branco, responsável da Edium Editores...a eles o meu agradecimento, por terem contribuído para este momento especial.



Os autógrafos...apesar da letra pouco atractiva!




Os amigos estiveram presentes neste momento feliz














E aproveito para deixar o meu obrigado ao Alexandre Santos que com a sua guitarra e voz musicaram um dos meus poemas, à Luísa Azevedo e à Vera Pinho que deram voz a outros dos poemas do livro e que tão bem foram acompanhadas ao piano por Pedro Lopes. Sem vocês a festa não teria tido tanto encanto.




Uma oferta de uma amiga, para que todos pudessem deixar registado os sentires sentidos, ao lerem estes "In-Finitos".

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

In-finitos sentires



"In-finitos sentires", porque sentir é algo tão profundo que pode percorrer um caminho que vai de um finito instantâneo até a um infinito que a nossa imaginação e o nosso querer proporcionam.
Dos "Desalinhos" deste blog sairam grande parte dos poemas que vão compor o meu primeiro livro de poesia. Outros são originais ainda desconhecidos...uma oferta para quem o quiser comprar.
Quem por aqui passa conhece a minha forma de escrever...do blog para o papel a diferença passa principalmente pelo tacto.
Dia 27 de Junho, às 16 horas na Biblioteca de Valongo decorrerá a sessão de apresentação destes "IN-Finitos Sentires"...deixo desde já o convite para que apareçam, se puderem. Terei todo o gosto em partilhar convosco a emoção do lançamento deste meu primeiro livro de poesia.
Apareçam...leiam...e divirtam-se

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Dias que se esqueceram de nós



Solta os meus cabelos longos
Na berma do teu corpo
Deito-me em profundo silêncio
Sem o cansaço dos longos dias
Que me apagam o fôlego.
Liberto-me da vida que se arrasta
Vamos correr serras douradas
De mãos dadas como dois namorados.
Vamos nadar nus entre as rochas
Que escondem a espuma das ondas
Colher braçadas de flores silvestres
Ignorar os picos que adornam os dedos
Com pérolas de sangue vermelho.
Enfeitar com margaridas brancas
O rosa entreaberto dos lábios
Que se abre ao sabor do teu beijo.
E no colchão de verde-relva
Deitamo-nos esquecidos dos dias
Que se esqueceram de nós.

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Pensamento táctil



Apaga-se a luz do quarto minguante da lua. Forma-se a tua forma no reflexo vaidoso do espelho. Olho, daqui, o teu corpo nas sombras da sombra em que me aninhei…adivinho-lhe os tremores nesta virose de um desejo incontido.
Descontrolo-te a febre deste querer em luta titânica contra a solidão.
Caem a teus pés palavras rasgadas no espaço anónimo das tuas mãos…
…adivinhas-me na escuridão da descoberta!
Na ponta dos dedos escorrem fios dourados da seara outonal dos meus cabelos. Inspiras o aroma de um perfume feito de enigmas sem tempo.
Descerram as pálpebras e vês em ti esta parte de mim!
Deslizo o dedo por entre as gotículas deste flute de champagne…pensas “apeteces-me” e a voz responde numa explosão de desejos…

…quando o pensamento se torna …táctil!

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

contradições



Contra-adições, ou quero que sejam apenas subtrações de um desejo expresso num café fumegante nos teus dedos espartilhados de temor.
Contra apenas por ser ausência de adições de um qualquer grão de ti que espartilha os sentimentos neste corpo que perde consciência de si e se lava na água benta da purificação. Estremece em arrepios que convidam o frio para uma chávena de chá de menta adoçada com o mel que de ti nasce.
As memórias varrem o chão do pensamento e adormecem esquecidas na esquina do quarto. Toco-lhes no ombro e pergunto o que fazem ali...a tão longa distância de casa. Não sabem responder…fugiram num momento de amnésia e esqueceram o caminho de volta. Estavam perdidas naquele espaço desconhecido e recusavam-se a despertar. Sabiam-se memórias, mas não sabiam de quem...sabiam-se pensamentos mas esqueceram a forma!
Escorria nos dedos um passado tão longínquo que já tinha perdido a vida. Porque o passado adormece para sempre na sepultura do esquecimento.
No chão estendidas bocejavam indiscrições e procuravam no aconchego do vazio a sua estrutura para poderem tornar-se ocas de uma realidade sem corpo.
Contradições...
...sem adições de açucar ou qualquer conservante, a vida pode tornar-se uma toranja amarga!

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Sereia…em pó de areia




Lambe a areia a pele salgada
Escorre por entre os dedos entrelaçados.
Cantamos suaves maresias
que espreitam o vagar das ondas.
…em redes de ouro
pescamos palavras encantadas,
pelo misterioso canto das sereias.
Ecoam rimas de beijos... lábios em flor
Debicam os pássaros alados
Melodias adormecidas
A despertarem sentires ocultos!
Escorre o mar líquidos
Espremidos do pó das estrelas
Cintilantes do nosso desejo.